Estima-se que existam cerca de 60 milhões de brasileiros utilizando os chamados “cartões de acesso à saúde” (também conhecidos formalmente como cartões de desconto ou benefícios em saúde).

Esse mercado cresceu de forma acelerada nos últimos anos por servir como uma alternativa intermediária para a população que não tem condições de arcar com os custos elevados de um plano de saúde tradicional (setor que atende hoje cerca de 53 milhões de pessoas), mas que deseja ter uma alternativa ao SUS para consultas básicas e exames.

Em abril de 2026, a Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS) passou a direcionar os seus esforços para regular o mercado de cartões de desconto.

Os passos práticos dessa regulamentação já começaram, redefinindo o futuro do setor✨

Principais Resultados

A ANS iniciou processo de regulação do mercado de cartões de desconto e assinatura de saúde, que já atende cerca de 60 milhões de brasileiros, superando os 53 milhões de vidas da saúde suplementar 12

.O mercado demonstra alta satisfação dos usuários (NPS de 92) e baixíssima reclamação, mas enfrenta o desafio de ser regulado sem perder suas características de agilidade e acessibilidade 34

. A ANEBAPS lançou um manual de boas práticas em Brasília e atua como representante do setor junto à ANS 56

Contexto do Mercado

  • Tamanho estimado: 60 milhões de brasileiros utilizam cartões de desconto ou assinatura de saúde, com potencial de 105 milhões de usuários 27
  • Perfil dos usuários: 75% da população é SUS-dependente, mas quase 100 milhões compram algum serviço de saúde complementar por ano, com gasto médio de R$ 700/ano por família 28
  • Motivação principal: Brasileiros entendem que plano de saúde individual é inatingível, mas têm capacidade de compra pontual para consultas e exames 89
  • Mercado corporativo: 51% dos trabalhadores formais CLT não recebem plano de saúde como benefício; a JBS, maior empregadora do Brasil com 168 mil funcionários, oferece plano apenas para 44 mil no modelo adesão 1011
  • Canais de distribuição: Big techs, bancos digitais, varejo, bandeiras de cartão de crédito, correios, metrô de São Paulo (Top Saúde), Uber, iFood, 99 12

Decisões da ANS e STJ

  • Decisão do STJ: Definiu que cabe à ANS regular e fiscalizar o mercado de cartões de desconto, focando na clareza e adequação das informações para que usuários compreendam as diferenças entre cartões e planos de saúde 1314
  • Chamamento público: ANS publicou edital em 2 de junho solicitando informações sobre funcionamento dos serviços, atendimentos oferecidos, limitações, carências, exclusões, forma de pagamento, reajustes, tipo de rede, preços e dados econômico-financeiros das empresas 15
  • Prazo: Contribuições até início de agosto 16
  • Postura da ANS: Presidente demonstra posição de conciliação e criou grupo de trabalho para entender o setor antes de regular 1718

Tipos de Produtos Identificados

  • Oito modalidades principais: Cartões de desconto, assinaturas de saúde, programas de relacionamento, redes próprias com cartão como distribuição, grandes adquirentes de varejo, produtos financeiros com subsídio 1920
  • Sete canais diferentes: Plataformas tecnológicas, gerenciadoras de rede, redes próprias, estruturas associativas vinculadas a sindicatos 2122
  • Características comuns: Modelo de subscrição que permite compra de serviços de saúde e bem-estar com preços acessíveis, sem garantia de cobertura assistencial 910

Experiência da Rede Mais Saúde

  • Operação: 13 anos no mercado, uma das maiores redes do Norte e Nordeste, 120 mil atendimentos/mês, 350 médicos, 300 colaboradores 23
  • Modelo de cartão: Implementado há 2 anos; consulta normal R$ 90, com cartão R$ 29 23
  • Base: 60 mil vidas no cartão com sinistralidade próxima de zero 2324
  • Desafios: Alta inadimplência devido a cobranças em cartão de crédito e perfil endividado do público; recentemente implementaram Pix recorrente 25
  • Cirurgias: Régua de financiamento até R$ 8 mil, mas realizam menos de 30 cirurgias/mês contra expectativa de 500 devido a dificuldades de negociação com hospitais 2627

Pontos Críticos para Regulação

Transparência e diferenciação:

  • Principal falha de mercado identificada é garantir que consumidores compreendam que não é plano de saúde, mas acesso pontual sem garantia assistencial 142829
  • Linguagem dos cartões pode confundir clientes induzindo percepção de cobertura 30
  • Cartilha da ANS de 2010 já explicava diferença entre plano e cartão 31

Risco de engessamento:

  • Regulação rígida pode enfraquecer os pontos fortes do produto: agilidade, baixo custo e alta satisfação 332
  • ANS não conhece profundamente o mercado; corpo técnico precisa aprender antes de regular 3033
  • Perguntas do chamamento são similares às de planos de saúde, mas dinâmica é diferente (modelo de elegibilidade, voucher, precificação por ociosidade) 3435

Judicialização:

  • Índice atual de reclamação é baixíssimo no Consumidor.gov e Procon 336
  • Regulação pode chamar atenção para judicialização se não for bem desenhada 3637
  • Multas da ANS têm valores altíssimos; estrutura de fiscalização precisa ser repensada para esse modelo 3839

Oportunidades Identificadas

Integração com sistema de saúde:

  • Modelo francês permite que cidadão compre serviços adicionais e leve informações (exames, laudos) de volta ao sistema público, reduzindo custos e evitando duplicação 4041
  • Paciente que compra tomografia por cartão não deveria voltar ao início da fila do SUS, mas apresentar o exame já realizado 42
  • SUS precisa abrir portas para receber exames e encaminhamentos de cartões como parceria 2743

Expansão de produtos:

  • Cartões podem oferecer coberturas extra-rol para beneficiários de planos de saúde 44
  • Produtos diferenciados como tratamentos estéticos, serviços de bem-estar 4445
  • Operadoras de planos têm interesse no desenvolvimento desse produto complementar 44

Acesso hospitalar:

  • Procedimentos eletivos de baixa complexidade e alta dignidade (varizes, correção oftalmológica) são mais viáveis 46
  • Produtos financeiros (carta de crédito, financiamento) podem viabilizar cirurgias 46
  • Hospitais precisam aprender precificação baseada em ociosidade, não apenas desconto sobre tabela particular 35

Posicionamento:

  • Manual de boas práticas: Lançado em Brasília com participação de 9 deputados, presidente da ANS e operadores 56
  • Papel: Explicar para a ANS como funcionam os modelos, diferenças entre cartão de desconto, cartão de saúde e assinatura de clínica 47
  • Contribuição: Proximidade com regulador para compartilhar dados, princípios e necessidades de todos os atores (empresas, regulados, consumidores) 48
  • Objetivo: Organizar o mercado e estabelecer regras onde hoje só existe Código de Defesa do Consumidor 30

Próximos Passos

  • Resposta ao chamamento: Empresas devem responder com cautela, considerando que ANS ainda não entende profundamente o mercado 333445
  • Acompanhamento contínuo: Participar de cada passo da regulação através de debates, associações e contribuições diretas 3949
  • Profissionalização: Regulação pode ajudar a identificar empresas sérias e criar cultura sobre funcionamento, finalidade e diferenciais do produto 1837
  • Prazo final: Início de agosto para contribuições ao chamamento público 16

Contexto Comparativo Internacional

  • Movimento mundial: Modelos de saúde hierarquizados (França, Inglaterra) permitem que cidadãos comprem serviços adicionais ao sistema público 40
  • Referência para acesso hospitalar: Índia tem hospitais (Narayana, Hirudo, Ayala) especializados em cortar custos não essenciais para viabilizar pagamento out-of-pocket em cirurgias 50

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